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Aprendendo mesmo com o erro

  • Foto do escritor: Ian Wright
    Ian Wright
  • 7 de jan. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de abr. de 2020

Mesmo quando se continua a dizer que as crianças também aprendem errando, existe cada vez mais protecção por parte dos progenitores sobre os seus filhos. Tornou-se normal, apesar de todas as iniciativas que existem, haver um certo ruído vindo da bancada, procurando sempre dar solução aos problemas apresentados no campo. Se o jogador não pensa sobre as acções que deve tomar, também não aprende porque não aplica aquilo que aprendeu, simplesmente, tenta executar o que ouve. E é precisamente sobre o tema da aprendizagem que pretendo falar neste post, enquadrando-o na visão do treinador dentro do processo de treino, visto que cada treinador quer potenciar ao máximo cada jogador.

Antes de mais, defino aprendizagem, segundo Reboul em 1999, como "o passar de um estado a um outro mais desejável. Aprender é libertar-se da ignorância, da incerteza, da incompetência, isto é, é tornar-se capaz de fazer melhor, compreender melhor, de ser melhor. Ora, quem diz "melhor" diz valor". Com isto, é importante entender que a aprendizagem leva a uma modificação de atitudes, conhecimentos ou comportamentos."

O tempo potencial de aprendizagem é definido como o tempo que o praticante passa em actividade com um grau de sucesso de 80% e com uma percentagem de erro nunca superior a 20%. Para que isto aconteça é necessário propor tarefas com níveis de dificuldades ajustadas, sendo estas, desafiantes e possíveis de serem ultrapassadas, maximizar o tempo útil do treino, reduzindo o tempo de esperas e os alunos inactivos e reduzir os tempo de organização e instrução. O tempo potencial de aprendizagem também é influenciado pelo feedback e pelas progressões pedagógicas.

O feedback, usado para conduzir e corrigir o jogador ao longo do exercício ou do jogo, deve ser preciso, claro e curto como forma de ser rapidamente entendido. Divide-se sobre 4 dimensões: objectivo (avaliativo, prescritivo, descritivo e interrogativo), forma (quinestésico, visual, auditivo ou mista), direcção (individual, grupo ou classe) e valor (positivo ou negativo). Conforme vai existindo consolidação de conhecimentos, o feedback começa a ser mais avaliativo e interrogativo para criar uma maior autonomia e melhorar a capacidade de decisão no atleta.

Para reduzir o tempo gasto, no momento da instrução devemos garantir qualidade e pertinência da informação, comunicando os objectivos, os critérios de êxito para realização das actividades. Estes momentos devem ser bem planeados por parte do treinador, o mesmo deve dar primazia às demonstrações pois a nossa captação, tratamento e descodificação da informação por parte da visão é superior à auditiva, o que torna estes momentos mais eficientes e eficazes.

A formação de grupos deve estar associada aos objectivos da sessão de treino, tendo um papel fundamental no sucesso do exercício e na evolução de cada atleta. Os objectivos definidos devem ser tanto individuais como colectivos, como forma de, respeitar cada atleta oferecendo-lhe aquilo que ele precisa para evoluir.

Desta forma conseguimos juntar as peças do jogo e formar uma máquina que consiga dar resposta a tudo aquilo que o jogo pede, criando problemas idênticos no treino aos que vão encontrar.

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