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"Quem joga é o jogador, não o treinador."

  • Foto do escritor: Ian Wright
    Ian Wright
  • 26 de abr. de 2020
  • 2 min de leitura

A frase "Quem joga é o jogador, não o treinador." de Jorge Araújo merece alguma reflexão e a nossa total atenção. Poderia-nos levar por muitos outros caminhos mas o nosso tema é a autonomia. Esta que tanto na formação como no alto rendimento se aplica e de uma maneira simpática podemos chamar-lhe liberdade controlada, visto que todo o processo planeado pelo treinador influencia directamente a forma de jogar tanto de toda a equipa como das peças que a constituem.

O rendimento que podemos tirar da equipa tem como base o desempenho individual e o colectivo que se traduzem em algumas variantes, tais como:

- Desempenho relacionado com as suas competências técnicas, físicas e tácticas;

- Capacidade de decisão sobe a crise de espaço e de tempo;

- Competências intra e interpessoais tais como: inteligência emocional, gestão de emoções, predisposição, auto-conhecimento e liderança.


Um treinador deverá ter um grande conhecimento do jogo de modo a conseguir ser competente em todas as etapas de ensino, sejam estas num escalão inferior ou no alto rendimento. É necessário utilizar o treino como um momento de ensino-aprendizagem conduzindo os jogadores ao entendimento do jogo para tomarem as melhores decisões nos timmings certos. Este processo leva a que o jogador tenha autonomia mas sem nunca descurar a estratégia e a táctica aplicada para o jogo, daí lhe chamar de liberdade controlada.

Jorge Braz, treinador da selecção portuguesa, teve a seguinte afirmação: "Tento focar-me essencialmente nas tarefas de jogo. A minha participação no jogo é de gerir, essa é a minha função. O atleta tem de decidir mais do que eu. Alertar para as oportunidades, alertamos para que em possíveis cenários possam existir uma série de hipóteses. A questão é, num jogo de futsal, há bastante comunicação, interacção entre os atletas e o treinador. O treinador pode intervir, existem as questões mais emocionais, e cabe ao treinador gerir com cuidado. Todos os exercícios, a sua variabilidade, focam a tomada de decisão. Obrigam o jogador a pensar."

Para fechar esta ideia de liberdade controlada deixo ainda uma observação conclusiva de Luís Sénica sobre este assunto: "Os treinadores não jogam, é verdade, mas conseguem estar em sintonia com aquilo que acontece na pista. A comunicação não é a que pretendemos, há ruído, há outros factores, mas isso resolve-se com o trabalho do dia-a-dia. Essas dificuldades podem ser superadas com o bom trabalho durante a semana."








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